Glen Rock

Qual o limite entre assumir riscos e quebrar regras de compliance?

A assunção de risco é algo natural e faz parte do dia-dia dos negócios, por outro lado quebrar regras de compliance não, isso poderia ser considerado no mínimo, como irresponsabilidade.

Teoricamente parece óbvio que nenhuma decisão de negócio razoável resultaria na quebra de regras de compliance, porém na prática isso não é tão simples.

A velocidade de mudanças na sociedade, com consequente impacto no ambiente de negócios faz com que as empresas tenham que responder esses estímulos cada vez mais rápido, então produtos são alterados, abordagens são revisadas, políticas e procedimentos internos são constantemente atualizados, o que valia ontem pode não valer hoje, no meio desse redemoinho de transformações, temos os executivos tomando decisões.

Abaixo listo 3 motivos que levam os executivos a quebrarem regras de compliance, muitas vezes sem conhecimento, comprometendo a empresa e sua posição como profissional.

  1. Não conhecer as políticas e procedimentos internos vigentes

É importante deixar claro que regras de compliance referem-se não somente a leis e regulamentos externos, mas também as políticas e procedimento internos da empresa, que muitas vezes limitam negócios, mesmo esses sendo totalmente legítimos e legais, por exemplo, vedação à participação em licitações públicas.

O conjunto de políticas e procedimentos internos de uma empresa é o guia daquilo que deve ser praticado por seus colaboradores para que os objetivos de negócios sejam alcançados em conformidade com sua cultura.

Em algumas empresas que visitei me chamou a atenção a quantidade de executivo que não cumpriam os treinamentos sobre políticas e procedimento internos, seja porque consideravam seu tempo valioso demais para perder com “esses detalhes”, seja porque assumiam que conheciam o tema e não precisam se atualizar.

Como garantir que as regras de compliance serão cumpridas por um executivo que não está atualizado em relação as políticas e procedimento internos? Os respectivos documentos podem mudar a qualquer momento, inclusive no meio de uma negociação.

  1. Usar o “padrão de mercado” como referência para decisões

Se todos os seus concorrentes adotam a mesma postura, por que você faria diferente?

Muitos executivos tomam como parâmetro para assumir riscos o comportamento da concorrência, quem já não escutou em uma reunião a velha expressão, “mas o mercado todo faz isso”, como se esse fato por si só legitimasse determinada decisão de negócio.

  1. Não consultar as áreas de controle

Para muitos executivos as áreas de controle (Riscos, Compliance e Controles Internos) podem ser um “empecilho” no processo de tomada de decisão.

A verdade é que muitas quebras de regras desnecessariamente feitas por executivos seriam evitadas se essas áreas fossem proativamente consultadas durante os processos de tomada de decisão, logicamente sem interferir na independência delas.

Por outro lado (fazendo um mea-culpa), é preciso que as áreas de controle incluam nas discussões com os executivos, mais informações sobre os impactos nos negócios e menos metodologia de trabalho.

Eu não estou menosprezando a importância da metodologia na elaboração e execução dos trabalhos, mas quando se trata da apresentação de informações aos executivos essa abordagem deveria ser guiadas pelo contexto dos negócios, pois dessa forma fica mais claro o valor que as áreas podem oferecer na busca de melhores decisões, contribuindo para uma adequada assunção de risco, sem a quebra de regras de compliance.